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Sem ar

covid-19 no Brasil · 2020 a 2023

700.000pessoas mortas.Muitas eram evitáveis.

Até 28 de março de 2023, a covid-19 matou 700.000 pessoas no Brasil. Esta linha do tempo reúne, com fonte em cada linha, o que o governo de Jair Bolsonaro fez e o que deixou de fazer enquanto isso — e os depoimentos de quem ficou.

cada quadrado = 1.000 pessoas

Entre a primeira oferta da Pfizer, em agosto de 2020, e o contrato, em março de 2021, passaram-se 216 dias. Nesse tempo, 181.344 pessoas morreram.

de 14.08.2020 a 18.03.2021 · mortes pela série diária das secretarias estaduais de saúde, compilada por W. Cota (covid19br, CC BY-SA 4.0)

a curva

O que se dizia enquanto as pessoas morriam.

Mortes diárias por covid-19, média de 7 dias. Os marcos são declarações e decisões do governo federal. Passe o cursor sobre a curva para ver cada dia, ou clique num marco para abrir o evento.

A linha tracejada é a parte da população com a vacinação completa. A vacinação começou em janeiro de 2021 e avançou devagar: no pico de mortes, em abril, só 3,3% dos brasileiros tinham a vacinação completa. As mortes só caem de vez quando essa linha sobe.

Mortes diárias por covid-19 no Brasil, média móvel de 7 diasPico de 3.111 mortes por dia em abril de 2021. Marcados na curva: declarações e decisões do governo federal.1.0002.0003.000216 dias da primeira oferta da Pfizer ao contrato25%50%75%100%no pico, 3,3% com vacinação completamar 2020202120222023“Gripezinha”“E daí?”1ª oferta da PfizerRecusa da CoronaVac“Virar jacaré”Manaus sem oxigênio1ª dose aplicadaContrato PfizerCPI instalada26.02.2020 · O primeiro caso confirmado no Brasil07.03.2020 · A campanha do presidente contra as medidas sanitárias12.03.2020 · A primeira morte — e a data que mudou depois13.03.2020 · O núcleo político da desinformação17.03.2020 · O primeiro e-mail da Pfizer, nove dias antes da primeira morte24.03.2020 · “Gripezinha”: o pronunciamento em rede nacional31.03.2020 · “O Brasil não pode parar” — e a tese da imunidade de rebanho16.04.2020 · A demissão de Mandetta20.04.2020 · “Não sou coveiro”28.04.2020 · O Brasil passa a China28.04.2020 · “E daí?”, com 5 mil mortos09.05.2020 · 10 mil mortes15.05.2020 · Nelson Teich deixa o cargo em 28 dias20.05.2020 · O Ministério amplia a cloroquina para casos leves29.05.2020 · O Brasil passa a Espanha04.06.2020 · O Brasil passa a Itália05.06.2020 · O apagão de dados12.06.2020 · O Brasil passa o Reino Unido e vira o segundo do mundo21.06.2020 · 50 mil mortes02.07.2020 · Os vetos na lei das máscaras07.07.2020 · Água, leito e respirador vetados — e o STF obrigado a intervir08.08.2020 · 100 mil mortes14.08.2020 · As três propostas de agosto, e os sete meses de silêncio07.10.2020 · O Butantan oferece 100 milhões de doses, 45 milhões ainda em 202021.10.2020 · O governo federal anuncia que não comprará a CoronaVac28.10.2020 · A Câmara sedia um evento pela imunidade de rebanho10.11.2020 · “Morte, invalidez, anomalia”17.12.2020 · “É problema de você”: a vacina da Pfizer e o jacaré07.01.2021 · Manaus sem oxigênio07.01.2021 · 200 mil mortes11.01.2021 · O TrateCov: o aplicativo da cloroquina, lançado em Manaus17.01.2021 · A primeira dose aplicada no Brasil15.03.2021 · Um quarto das mortes do mundo18.03.2021 · O contrato com a Pfizer, sete meses depois18.03.2021 · O presidente imita uma pessoa com falta de ar24.03.2021 · 300 mil mortes08.04.2021 · 4.249 mortes em um dia27.04.2021 · Instala-se a CPI da Pandemia29.04.2021 · 400 mil mortes05.05.2021 · A ameaça de um decreto contra o lockdown02.06.2021 · Sob panelaços, a promessa de vacina para todos19.06.2021 · 500 mil mortes25.06.2021 · A denúncia da Covaxin07.07.2021 · “Quantas vacinas no braço do povo a CPI botou?”08.10.2021 · 600 mil mortes21.10.2021 · A live da aids, removida por três plataformas26.10.2021 · O relatório final da CPI da Pandemia03.11.2021 · “Era grupo de risco”28.03.2023 · 700 mil mortescada traço é um evento da linha do tempo · amarelo = omissão
mortes por dia (média de 7 dias)população com vacinação completa (escala à direita)da primeira oferta da Pfizer ao contrato (14.08.2020 a 18.03.2021)mortes: W. Cota, covid19br; vacinação: Our World in Data — ambas das secretarias estaduais de saúde
4.249mortes registradas num único dia, 8 de abril de 2021Ministério da Saúde
3.111mortes por dia em média na pior semana, até 11 de abril de 2021série das secretarias estaduais (W. Cota, covid19br)
54.440mortes entre a recusa da CoronaVac (21.10.2020) e a primeira vacina aplicada no país (17.01.2021)série das secretarias estaduais (W. Cota, covid19br)

49 eventos · cada um com a sua fonte

A linha do tempo.

Ao lado de cada evento, as mortes acumuladas no país até aquele dia: nos marcos, o número oficial que o evento cita; nos demais, a série das secretarias estaduais (W. Cota, covid19br).

2020

26.02.20200mortos até este dia
marco

O primeiro caso confirmado no Brasil

O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no país. O paciente, um homem de 61 anos, estivera na Lombardia entre 9 e 21 de fevereiro, teve os primeiros sintomas na volta, foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein em 24 de fevereiro e notificado às autoridades sanitárias no dia 25. O Brasil tinha, nesse dia, cerca de um mês de vantagem sobre a Europa para se preparar.

26 de fevereiro de 20203 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
institucional
07.03.20200mortos até este dia
omissão

A campanha do presidente contra as medidas sanitárias

Ao longo de quase um ano, o presidente da República fez uma sequência contínua de declarações públicas minimizando a doença, atacando o distanciamento social e desacreditando o uso de máscaras. A CPI da Pandemia compilou essas falas com data e fonte e concluiu que o chefe do Executivo foi “o maior canal de disseminação de desinformações” sobre as medidas não farmacológicas.

“O governo federal não seguiu essa estratégia e teve no Presidente da República o maior canal de disseminação de desinformações e de conflitos a respeito das medidas não farmacológicas.”
março de 2020 a fevereiro de 20213 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
desinformaçãomáscaras e distanciamento
12.03.20201mortos até este dia
marco

A primeira morte — e a data que mudou depois

Em 17 de março de 2020 o país é informado de sua primeira morte por covid-19, um homem de 62 anos que morrera no dia 16 em São Paulo. Três meses depois, o Ministério da Saúde corrige a série histórica: a primeira morte fora a de uma mulher de 57 anos, em 12 de março. A revisão mostra que a contagem oficial andava atrás dos fatos desde o começo.

12 de março de 20203 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
dados e transparência
13.03.20201mortos até este dia
declaração pública

O núcleo político da desinformação

A CPI da Pandemia concluiu que a desinformação sobre a covid-19 não foi espontânea, mas produzida por uma organização de cinco núcleos articulados. Um deles, o núcleo político, era formado por parlamentares — e o relatório final lista, com data, o que cada um publicou contra as máscaras, o distanciamento, as vacinas e a favor do chamado tratamento precoce.

“Em seguida, está o núcleo que oferece suporte político às decisões da organização. Ele é formado essencialmente por parlamentares, políticos, autoridades públicas e religiosas. […] Eles incentivaram as pessoas ao descumprimento das normas sanitárias impostas para conter a pandemia e adotaram condutas de incitação ao crime.”
março de 2020 a junho de 20212 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
desinformaçãomáscaras e distanciamentovacinascloroquina e kit covid
17.03.20201mortos até este dia
marco

O primeiro e-mail da Pfizer, nove dias antes da primeira morte

Albert Bourla, presidente mundial da Pfizer, escreve ao presidente da República apresentando os produtos da empresa. É o primeiro de uma sequência de contatos que atravessaria todo o ano de 2020 — pedidos de reunião com o ministro da Saúde e com o vice-presidente em maio, acordo de confidencialidade em julho, propostas vinculantes em agosto. O contrato seria assinado um ano depois.

17 de março de 20203 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
vacinas
24.03.202047mortos até este dia
omissão

“Gripezinha”: o pronunciamento em rede nacional

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, o presidente da República minimiza a doença, critica o fechamento de escolas e de comércio e pede o retorno à normalidade. O discurso define a posição do governo federal pelos dois anos seguintes e contraria a orientação do próprio Ministério da Saúde.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão.”
24 de março de 20203 vídeos · 3 imagens · 9 fontes e matérias
desinformaçãomáscaras e distanciamento
31.03.2020202mortos até este dia
omissão

“O Brasil não pode parar” — e a tese da imunidade de rebanho

O Supremo Tribunal Federal proíbe, em liminar, a produção e a veiculação de qualquer campanha publicitária com o mote “O Brasil não pode parar”, atribuída à Secretaria de Comunicação da Presidência. Para a CPI da Pandemia, a peça é prova da estratégia que o governo federal perseguiu: atingir a imunidade de rebanho pela contaminação, em vez de contê-la.

“Pelas provas colhidas, foi possível concluir que o Presidente da República assessorado pelo gabinete paralelo defendia o atingimento da imunidade de rebanho por meio da contaminação coletiva pelo vírus. A estratégia era favorecer a propagação do novo coronavírus, contrapondo-se à adoção de medidas não farmacológicas.”
31 de março de 20203 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
máscaras e distanciamentodesinformaçãoinstitucional
16.04.20201.962mortos até este dia
ação do governo

A demissão de Mandetta

Um decreto de 16 de abril de 2020, publicado em edição extra do Diário Oficial no mesmo dia, exonera Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro de Estado da Saúde. A demissão vem depois de semanas de atrito público com o presidente a respeito de distanciamento social e cloroquina. Era o ministro que conduzia a resposta à epidemia desde o primeiro caso.

“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso I, da Constituição, resolve: EXONERAR LUIZ HENRIQUE MANDETTA do cargo de Ministro de Estado da Saúde.”
16 de abril de 20203 vídeos · 4 imagens · 7 fontes e matérias
institucionalcloroquina e kit covid
20.04.20202.598mortos até este dia
omissão

“Não sou coveiro”

Perguntado pela Folha de S.Paulo sobre o número de mortos por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro responde que não é coveiro. No mesmo dia, o Ministério da Saúde corrige o próprio boletim — as mortes das últimas 24 horas eram 113, não as 383 divulgadas antes.

“Eu não sou coveiro.”
20 de abril de 20202 fontes e matérias
desinformaçãodados e transparência
28.04.20205.017mortos até este dia
marco

O Brasil passa a China

Com 5.017 mortes, o Brasil ultrapassa a China, onde a pandemia começou, em número de óbitos divulgados oficialmente. No mesmo dia, o país registra 474 mortes em 24 horas, recorde até então.

28 de abril de 20202 fontes e matérias
28.04.20205.017mortos até este dia
omissão

“E daí?”, com 5 mil mortos

No dia em que o Brasil ultrapassa a China em número de mortes — 5.017 contra 4.643 —, o presidente responde a jornalistas com “e daí?”. Oito dias antes, perguntado sobre o número de mortos, dissera não ser coveiro.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.”
28 de abril de 20203 vídeos · 2 imagens · 10 fontes e matérias
desinformação
09.05.202010.627mortos até este dia
marco
10.000

4,7 mortes por 100 mil habitantes

10 mil mortes

Setenta e quatro dias depois do primeiro caso confirmado, o Brasil passa de 10 mil mortes. Seis dias depois, o segundo ministro da Saúde da pandemia, Nelson Teich, pediria demissão, e o Ministério passaria ao comando interino de um general da ativa, Eduardo Pazuello.

9 de maio de 20203 vídeos · 3 imagens · 8 fontes e matérias
15.05.202014.983mortos até este dia
ação do governo

Nelson Teich deixa o cargo em 28 dias

O segundo ministro da Saúde da pandemia anuncia a saída menos de um mês depois de tomar posse; o decreto que o exonera “a pedido” sai no dia seguinte, em edição extra do Diário Oficial. À CPI da Pandemia, Teich diria depois que saiu por divergir do governo quanto à cloroquina e por não ter autonomia sobre o uso do medicamento. O Ministério passa ao comando interino de um general da ativa.

“EXONERAR, a pedido, NELSON LUIZ SPERLE TEICH do cargo de Ministro de Estado da Saúde.”
15 de maio de 20203 vídeos · 4 imagens · 8 fontes e matérias
institucionalcloroquina e kit covid
20.05.202019.059mortos até este dia
ação do governo

O Ministério amplia a cloroquina para casos leves

Cinco dias depois de assumir interinamente, o general Eduardo Pazuello publica a Nota Informativa nº 9/2020, que estende a prescrição de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina a casos leves de covid-19. O próprio documento admite, no texto, que não há evidência científica robusta para indicar terapia farmacológica específica contra a doença.

“Até o momento, não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a covid-19.”
20 de maio de 20203 vídeos · 2 imagens · 7 fontes e matérias
cloroquina e kit coviddesinformação
29.05.202027.878mortos até este dia
marco

O Brasil passa a Espanha

Com 27.878 mortes, o país ultrapassa a Espanha e assume a quinta posição mundial em número absoluto de óbitos. Em duas semanas passaria da quinta para a segunda.

29 de maio de 20201 vídeo · 2 imagens · 7 fontes e matérias
04.06.202034.021mortos até este dia
marco

O Brasil passa a Itália

Com 34.021 mortes, no terceiro recorde diário seguido, o Brasil ultrapassa a Itália e se torna o terceiro país do mundo com mais mortes por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

4 de junho de 20202 fontes e matérias
05.06.202035.251mortos até este dia
omissão

O apagão de dados

Até 4 de junho o governo federal divulgava casos e mortes do dia e os totais acumulados. No dia 5, sem justificativa, o painel sai do ar; quando volta, já não traz o acumulado, e os boletins passam a ser divulgados à noite. Três dias depois, o Supremo Tribunal Federal manda restabelecer a divulgação integral.

5 a 8 de junho de 20203 vídeos · 2 imagens · 7 fontes e matérias
dados e transparência
12.06.202041.828mortos até este dia
marco

O Brasil passa o Reino Unido e vira o segundo do mundo

Com 41.828 mortes contra 41.566 do Reino Unido, o Brasil se torna o segundo país do mundo em número absoluto de mortes por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos. Subiu da quinta à segunda posição em duas semanas, e não sairia mais dela.

12 de junho de 20203 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
21.06.202050.608mortos até este dia
marco
50.000

23,6 mortes por 100 mil habitantes

50 mil mortes

O país passa de 50 mil mortes quatro meses depois do primeiro caso. Nesse mesmo mês, o governo federal havia retirado do ar a série histórica dos dados da pandemia, e veículos de imprensa formaram um consórcio para apurar os números com as secretarias estaduais.

21 de junho de 20201 vídeo · 3 imagens · 8 fontes e matérias
02.07.202062.125mortos até este dia
omissão

Os vetos na lei das máscaras

A Lei 14.019 torna obrigatório o uso de máscara, mas é sancionada com vetos que retiram a obrigatoriedade em estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos e escolas, derrubam o fornecimento gratuito de máscaras a populações vulneráveis e cancelam a obrigação de o Executivo veicular campanhas sobre o uso correto do equipamento. A razão apresentada para o primeiro veto foi a inviolabilidade de domicílio.

“A propositura legislativa, ao estabelecer que o uso de máscaras será obrigatório em demais locais fechados em que haja reunião de pessoas, incorre em possível violação de domicílio por abarcar conceito abrangente de locais não abertos ao público.”
2 de julho de 20203 vídeos · 2 imagens · 7 fontes e matérias
máscaras e distanciamento
07.07.202066.936mortos até este dia
omissão

Água, leito e respirador vetados — e o STF obrigado a intervir

A Lei 14.021, de proteção social a povos indígenas na pandemia, é sancionada com dezesseis dispositivos vetados, entre eles o acesso universal a água potável, a distribuição gratuita de material de higiene, a oferta emergencial de leitos de UTI e a compra de ventiladores. No dia seguinte, o Supremo determinou à União, na ADPF 709, o que o Executivo não fizera por iniciativa própria.

julho a agosto de 20202 vídeos · 3 imagens · 8 fontes e matérias
povos indígenas
08.08.2020100.000mortos até este dia
marco
100.000

47,2 mortes por 100 mil habitantes

100 mil mortes

Cinco meses depois da primeira morte, o Brasil chega a 100 mil mortos. Não houve luto oficial nem pronunciamento.

8 de agosto de 20203 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
14.08.2020106.591mortos até este dia
omissão

As três propostas de agosto, e os sete meses de silêncio

Em 14, 18 e 26 de agosto de 2020 a Pfizer apresenta três propostas vinculantes de venda de vacina ao governo brasileiro, cada uma em duas opções — 30 ou 70 milhões de doses —, a US$ 10 a dose, com entrega começando ainda em 2020. A última dava prazo de quinze dias e não foi aceita nem recusada. O contrato seria assinado sete meses depois, com menos doses para o primeiro semestre de 2021 do que a oferta de agosto previa.

“Como era vinculante e estávamos neste processo com todos os governos, teria uma validade de 15 dias. Passados esses 15 dias, o Governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta.”
agosto de 2020 a março de 20213 vídeos · 2 imagens · 9 fontes e matérias
vacinas
13.09.2020131.698mortos até este dia
depoimentoperiferia e vulnerabilidade

“700 mil pessoas morreram, e quando eu falo 700 mil, esse número sai fácil da minha boca, mas ele não sai leve.”

ver no Instagram

Uma filha conta a morte da mãe por covid-19 — a consulta que a mandou para casa, o hospital particular que ela não pôde pagar, a internação num hospital público, a carta de despedida e o enterro num saco, com a família em chamada de vídeo. Ela tinha 20 anos e marca a data de 13 de setembro de 2020.

Lívia Brito
07.10.2020148.328mortos até este dia
omissão

O Butantan oferece 100 milhões de doses, 45 milhões ainda em 2020

Por ofício ao Ministério da Saúde, o Instituto Butantan oferece 100 milhões de doses da CoronaVac — 45 milhões até dezembro de 2020, 15 milhões até fevereiro de 2021 e 40 milhões até maio. Duas semanas depois, o presidente desautorizaria em público a compra. O contrato só seria assinado em 7 de janeiro de 2021, e as entregas começariam no dia 15.

7 de outubro de 20203 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
vacinas
21.10.2020155.481mortos até este dia
omissão

O governo federal anuncia que não comprará a CoronaVac

Em 20 de outubro de 2020, depois de reunião com governadores, o ministro da Saúde assina protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em São Paulo. No dia seguinte o presidente o desautoriza em público e declara que a compra não será feita. A vacina estava em ensaio clínico de fase 3 com voluntários brasileiros.

21 de outubro de 20203 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
vacinasdesinformação
28.10.2020158.501mortos até este dia
declaração pública

A Câmara sedia um evento pela imunidade de rebanho

O líder do governo na Câmara dos Deputados organiza, na própria Casa, um evento para defender a imunidade de rebanho por contaminação, com a presença de médicos ligados ao chamado tratamento precoce. No evento, deputados e convidados defendem a volta imediata às aulas presenciais.

28 de outubro de 20203 vídeos · 2 imagens · 6 fontes e matérias
desinformaçãomáscaras e distanciamento
10.11.2020162.867mortos até este dia
declaração pública

“Morte, invalidez, anomalia”

Um dia depois de a Anvisa suspender os testes da CoronaVac por um evento adverso grave — depois esclarecido como um suicídio sem relação com a vacina —, o presidente publica em rede social que o imunizante poderia causar “morte, invalidez, anomalia” e trata a suspensão como vitória política sobre o governador de São Paulo.

10 de novembro de 20203 vídeos · 2 imagens · 10 fontes e matérias
vacinasdesinformação
17.12.2020184.927mortos até este dia
declaração pública

“É problema de você”: a vacina da Pfizer e o jacaré

Em evento público em Porto Seguro, o presidente afirma que o contrato da Pfizer isentaria a empresa de responsabilidade por efeitos colaterais e que, se alguém virasse jacaré depois de tomar a vacina, o problema seria dele. Disse também que não se vacinaria. O país começaria a vacinar um mês depois, com doses do Butantan.

“Lá na Pfizer, tá bem claro lá no contrato: nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar o jacaré, é problema de você, pô.”
17 de dezembro de 20202 vídeos · 2 imagens · 10 fontes e matérias
vacinasdesinformação

2021

07.01.2021200.611mortos até este dia
omissão

Manaus sem oxigênio

Na noite de 7 de janeiro de 2021 o secretário de Saúde do Amazonas telefona ao ministro da Saúde para avisar do problema de abastecimento de oxigênio; a comunicação formal da fornecedora chega ao Ministério no dia 8. O socorro federal chega em 13, e em 14 de janeiro pacientes morrem asfixiados em leitos de Manaus. As duas datas constam de resposta oficial do próprio Ministério da Saúde ao Congresso.

“— O senhor concorda que, se não faltasse oxigênio, vidas seriam salvas? — Concordo em gênero, número e grau.”
7 a 15 de janeiro de 20213 vídeos · 3 imagens · 11 fontes e matérias
oxigênio
07.01.2021200.611mortos até este dia
marco
200.000

94,4 mortes por 100 mil habitantes

200 mil mortes

O país passa de 200 mil mortes no mesmo dia em que o secretário de Saúde do Amazonas telefona ao ministro para avisar que o oxigênio vai faltar em Manaus, e dez dias antes da primeira dose aplicada no Brasil.

7 de janeiro de 20213 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
11.01.2021203.677mortos até este dia
ação do governo

O TrateCov: o aplicativo da cloroquina, lançado em Manaus

Na mesma semana em que Manaus ficou sem oxigênio, o Ministério da Saúde lançou na cidade o TrateCov, um aplicativo que, a partir de sintomas informados, prescrevia cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina — inclusive para crianças. A ferramenta foi montada em cinco dias e saiu do ar dez dias depois, a pedido do Conselho Federal de Medicina.

“— Tudo aquilo que poderiam ter feito com o povo do Amazonas e de Manaus para testar, para usar de cobaia, para ter experiência foi feito lá. — Presidente, o senhor me desculpe, mas não é cobaia. É uma tentativa de melhorar o atendimento ao público.”
11 a 21 de janeiro de 20213 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
cloroquina e kit covidoxigêniodesinformação
17.01.2021209.921mortos até este dia
marco

A primeira dose aplicada no Brasil

Reunida em sessão extraordinária num domingo, a diretoria colegiada da Anvisa aprova por unanimidade a autorização temporária de uso emergencial da CoronaVac, do Butantan, e da Covishield, produzida pelo Serum Institute of India e distribuída pela Fiocruz. Minutos depois, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é vacinada em São Paulo. O país começa a vacinar quase um mês depois do Reino Unido e de vizinhos sul-americanos.

17 de janeiro de 20213 vídeos · 3 imagens · 8 fontes e matérias
vacinas
15.03.2021279.703mortos até este dia
marco
25%

Um quarto das mortes do mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 60,2 mil pessoas morreram de covid-19 no mundo entre 15 e 21 de março de 2021; 15,6 mil delas no Brasil. O país teve, sozinho, um quarto das mortes da semana.

15 a 21 de março de 20212 fontes e matérias
18.03.2021287.935mortos até este dia
ação do governo

O contrato com a Pfizer, sete meses depois

O Ministério da Saúde assina com a Pfizer o Contrato nº 52/2021, de 100.001.070 doses, com entregas até o fim do terceiro trimestre de 2021. Entre a primeira oferta da fabricante e a assinatura passaram-se sete meses e quatro dias — o intervalo em que o país entrou na segunda onda.

18 de março de 20213 vídeos · 2 imagens · 8 fontes e matérias
vacinas
18.03.2021287.935mortos até este dia
omissão

O presidente imita uma pessoa com falta de ar

Na live semanal, o presidente Jair Bolsonaro imita uma pessoa com falta de ar, com sons guturais, ao defender o chamado tratamento precoce e atacar o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Seis dias depois, o país passaria de 300 mil mortes.

18 de março de 20213 fontes e matérias
desinformaçãocloroquina e kit covid
24.03.2021300.000mortos até este dia
marco
300.000

141,7 mortes por 100 mil habitantes

300 mil mortes

Setenta e seis dias depois das 200 mil, o Brasil chega a 300 mil mortes. O contrato com a Pfizer fora assinado seis dias antes, sete meses depois da primeira oferta. O pior mês da pandemia ainda estava por vir.

24 de março de 20213 vídeos · 3 imagens · 6 fontes e matérias
08.04.2021345.025mortos até este dia
marco
4.249

2,0 mortes por 100 mil habitantes

4.249 mortes em um dia

O Ministério da Saúde registra 4.249 mortes por covid-19 em 24 horas, o maior número diário da pandemia no país, e o total acumulado chega a 345.025. Dois dias antes o balanço já passara de 4 mil. Abril de 2021 seria o mês mais letal da pandemia no Brasil, com a vacinação ainda no começo.

8 de abril de 20212 vídeos · 2 imagens · 7 fontes e matérias
27.04.2021395.470mortos até este dia
investigação

Instala-se a CPI da Pandemia

O Senado instala a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia dezenove dias depois de o Supremo Tribunal Federal determinar sua abertura. Omar Aziz é eleito presidente, Randolfe Rodrigues vice e Renan Calheiros confirmado relator. Em seis meses, a comissão produz o acervo documental que sustenta boa parte desta linha do tempo.

27 de abril de 20213 vídeos · 4 imagens · 7 fontes e matérias
institucional
29.04.2021401.186mortos até este dia
marco
400.000

188,9 mortes por 100 mil habitantes

400 mil mortes

Trinta e seis dias depois das 300 mil, o Brasil passa de 400 mil mortos, com 401.186 registrados. Abril de 2021 foi o mês mais letal da pandemia no país, e a vacinação cobria pouco mais de 2% da população com esquema completo.

29 de abril de 20213 vídeos · 3 imagens · 6 fontes e matérias
05.05.2021414.747mortos até este dia
omissão

A ameaça de um decreto contra o lockdown

No Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro ameaça editar um decreto para impedir estados e municípios de adotar medidas restritivas — “não será contestado por nenhum tribunal” — e, no mesmo discurso, insinua que a pandemia poderia ser uma nova guerra química e bacteriológica.

“E, se eu baixar um decreto, vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal.”
5 de maio de 20212 fontes e matérias
máscaras e distanciamentoinstitucional
18.05.2021439.464mortos até este dia
depoimentovacinas

“Eu estou mal para caramba. A culpa é desse capitão bunda suja que não comprou vacina para nós.”

ver no YouTube

Áudio gravado pelo advogado José Roberto Feltrin, assessor parlamentar, já com covid, culpando o presidente por não ter comprado vacina e o deputado José Medeiros, de cujo gabinete era assessor. Morreu em 18 de maio de 2021, aos 55 anos. O deputado atribuiu a divulgação do áudio à vingança de um ex-assessor.

José Roberto Feltrin
02.06.2021467.903mortos até este dia
declaração pública

Sob panelaços, a promessa de vacina para todos

Em pronunciamento em rede nacional, o presidente Jair Bolsonaro promete vacina para todos os brasileiros que quiserem até o fim do ano e repete que o governo “não obrigou ninguém a ficar em casa”. A fala é acompanhada de panelaços em capitais. Dezessete dias depois, o país passaria de 500 mil mortes.

“Neste ano, todos os brasileiros que assim o desejarem serão vacinados.”
2 de junho de 20212 fontes e matérias
vacinasmáscaras e distanciamento
19.06.2021500.000mortos até este dia
marco
500.000

236,1 mortes por 100 mil habitantes

500 mil mortes

O Brasil passa de meio milhão de mortes por covid-19. No mesmo dia, manifestações contra o governo federal ocupam ruas de mais de trezentas cidades. A CPI da Pandemia estava em curso havia dois meses.

19 de junho de 20213 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
25.06.2021511.333mortos até este dia
investigação

A denúncia da Covaxin

Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Ministério da Saúde, depõe à CPI da Pandemia e relata pressão atípica para liberar o pagamento da vacina indiana Covaxin. A fatura apresentada vinha em nome de uma empresa que não constava do contrato, exigia pagamento 100% antecipado e cobria apenas 300 mil doses. Quatro dias depois, o contrato é suspenso.

“Ao ser analisado por um técnico da divisão de importação, foi verificado que Madison Biotech não é uma correspondente do contrato que constava a Precisa Medicamentos e a Bharat Biotech. Outra observação que foi analisada foi que o termo de pagamento era 100% antecipado.”
25 de junho de 20213 vídeos · 3 imagens · 8 fontes e matérias
vacinas
07.07.2021528.625mortos até este dia
declaração pública

“Quantas vacinas no braço do povo a CPI botou?”

Em pronunciamento no plenário do Senado, o senador Flávio Bolsonaro chama os trabalhos da CPI da Pandemia de “show de horrores”, acusa o relator de usar a comissão contra si e questiona a utilidade da investigação. O discurso é de duas semanas depois da denúncia da Covaxin e de três meses antes do relatório final.

“Quantas vacinas no braço do povo a CPI botou? O que a CPI tem feito para ajudar o Brasil a sair dessa crise? Quantos empregos a CPI salvou? Está sendo uma vergonha para a população.”
7 de julho de 20213 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
institucionaldesinformação
08.10.2021600.425mortos até este dia
marco
600.000

283,3 mortes por 100 mil habitantes

600 mil mortes

O Brasil passa de 600 mil mortes confirmadas por covid-19, a segunda maior cifra absoluta do mundo. O Ministério da Saúde contabiliza 600.425 óbitos; o consórcio de veículos de imprensa, 600.077 no mesmo dia. Dezenove meses separam essa data da primeira morte registrada no país.

8 de outubro de 20213 vídeos · 3 imagens · 7 fontes e matérias
21.10.2021604.744mortos até este dia
declaração pública

A live da aids, removida por três plataformas

Em transmissão ao vivo, o presidente afirma que relatórios oficiais do Reino Unido sugeririam que pessoas totalmente vacinadas estariam “desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida muito mais rápido que o previsto”. A informação vinha de um site conspiracionista. Facebook, Instagram e YouTube removeram o vídeo, e o Supremo abriu inquérito a pedido da CPI da Pandemia.

“Relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados… Quem são os totalmente vacinados? 15 dias após a segunda dose, totalmente vacinados, estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida muito mais rápido que o previsto.”
outubro a dezembro de 20213 vídeos · 2 imagens · 12 fontes e matérias
vacinasdesinformação
26.10.2021606.270mortos até este dia
investigação

O relatório final da CPI da Pandemia

A CPI da Pandemia aprova seu relatório final por 7 votos a 4 e pede o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas, entre elas o então presidente da República, a quem imputa nove crimes — do Código Penal, da Lei de Impeachment e do Estatuto de Roma. O documento tem 1.287 páginas e conclui que houve, na condução federal, opção deliberada por não conter a doença.

26 de outubro de 20213 vídeos · 3 imagens · 8 fontes e matérias
vacinas
03.11.2021608.280mortos até este dia
omissão

“Era grupo de risco”

Em conversa com apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro conta que, na viagem à Itália, um homem lhe disse que a história o condenaria e que ele tinha matado seu avô — e minimiza a morte: o avô teria uns 80 anos, “grupo de risco”.

3 de novembro de 20211 fonte
desinformação

2023

28.03.2023700.000mortos até este dia
marco
700.000

330,6 mortes por 100 mil habitantes

700 mil mortes

Três anos depois do primeiro caso, o Ministério da Saúde registra 700 mil mortes por covid-19 no Brasil — o segundo maior número absoluto do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. É o último marco desta linha do tempo, e o que fecha a conta.

28 de março de 20233 vídeos · 3 imagens · 6 fontes e matérias

o custo

Quantas mortes eram evitáveis.

Três estimativas foram apresentadas à CPI da Pandemia e constam do seu relatório final. Têm métodos e recortes diferentes, e por isso estão aqui as três, com a autoria de cada uma — da mais estreita, que mede o efeito de uma única decisão, à mais ampla, que compara o Brasil com o resto do mundo.

12.663pessoas com 60 anos ou mais: mortes em março, abril e maio de 2021 que não teriam ocorrido se o Ministério da Saúde tivesse contratado, em agosto de 2020, as 70 milhões de doses oferecidas pela Pfizer.modelo matemático de pesquisadores da USP, da FGV, do Butantan e da London School, citado no relatório final da CPI da Pandemia
120.000mortes: parcela evitável do excesso de 305 mil mortes registrado no país, por testagem em massa, rastreamento de contatos, isolamento, máscaras e restrição de mobilidade.Werneck et al., “Mortes evitáveis por covid-19 no Brasil”, Idec e Oxfam, junho de 2021, apresentado à CPI em 24 de junho de 2021
400.000mortes: quatro de cada cinco mortes no país teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial de mortalidade.Pedro Hallal, epidemiologista e ex-reitor da UFPel, em depoimento à CPI da Pandemia em 24 de junho de 2021

O relatório final da CPI da Pandemia, aprovado no Senado em 26 de outubro de 2021, pediu o indiciamento do então presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, por 9 crimes: 1) epidemia com resultado morte, 2) infração de medida sanitária preventiva, 3) charlatanismo, 4) incitação ao crime, 5) falsificação de documento particular, 6) emprego irregular de verbas públicas, 7) prevaricação, 8) crimes contra a humanidade e 9) crimes de responsabilidade. Ele não foi preso por nenhum deles porque indiciamento pedido por comissão parlamentar não prende ninguém: a denúncia cabia ao procurador-geral da República, Augusto Aras — indicado ao cargo por Bolsonaro fora da lista tríplice da categoria e por ele reconduzido em 2021 —, que não a apresentou.

crimes imputados a Bolsonaro
9
pessoas com indiciamento pedido
78
denúncias apresentadas pela PGR
0

Por que a responsabilidade é do governo federal

Porque as decisões que produziram o atraso eram federais, e só podiam ser tomadas no nível federal. A compra centralizada de vacinas é atribuição da União; estado e município não podem assinar contrato com fabricante estrangeiro no lugar dela. Cada elo desta cadeia está documentado nesta linha do tempo, com data e fonte.