A Lei 14.021, de proteção social a povos indígenas na pandemia, é sancionada com dezesseis dispositivos vetados, entre eles o acesso universal a água potável, a distribuição gratuita de material de higiene, a oferta emergencial de leitos de UTI e a compra de ventiladores. No dia seguinte, o Supremo determinou à União, na ADPF 709, o que o Executivo não fizera por iniciativa própria.
A ADPF 709 foi proposta pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib, com seis partidos. A ação apontava taxa de mortalidade por covid-19 de 9,6% entre indígenas, contra 5,6% na população em geral. Em 8 de julho de 2020, um dia depois da sanção da lei, o relator, ministro Luís Roberto Barroso, deferiu parcialmente a cautelar: plano de enfrentamento em 30 dias, barreiras sanitárias, sala de situação, contenção de invasores e acesso ao subsistema de saúde indígena. O plenário referendou a decisão em 3 e 5 de agosto de 2020.
Na mesma semana da liminar, a Lei 14.021 era sancionada com dezesseis vetos. Estão entre os dispositivos vetados, no art. 5º:
- I — acesso universal a água potável;
- II — distribuição gratuita de materiais de higiene, limpeza e desinfecção;
- V, a — oferta emergencial de leitos hospitalares e de UTI;
- V, b — aquisição de ventiladores e de máquinas de oxigenação sanguínea;
- VIII — provimento de pontos de internet nas aldeias.
O Congresso derrubou esses vetos depois, e o texto do Planalto marca cada trecho restabelecido como “promulgação partes vetadas”. Mas o intervalo entre o veto e a derrubada aconteceu dentro da epidemia, em comunidades onde a ambulância mais próxima fica a horas de barco.
O que esses dois documentos mostram juntos é a sequência: o plano federal de proteção indígena durante a pandemia passou a existir por decisão judicial, não por iniciativa do Executivo — e os meios materiais para executá-lo, água e leito, tinham acabado de ser vetados.
Corrigido em 14 de outubro de 2026. O resumo dizia que o Supremo agira “semanas antes” da sanção. A cautelar de Barroso na ADPF 709 é de 8 de julho de 2020, um dia depois, como mostra a notícia do STF citada nas fontes.
Vídeos 2
Os vídeos da pesquisa só carregam quando você clica: até lá, nada é pedido ao YouTube por eles.
BOLSONARO VETA TRECHOS DE LEI DE AJUDA A INDÍGENAS
Reportagem sobre os vetos.
Lei define medidas de prevenção ao coronavírus em terras indígenas
Versão do próprio governo sobre a lei; licença CC BY 3.0. Útil para contrastar com os vetos.
Imagens 3
Matérias 5
- Agência Senado8 de julho de 2020Bolsonaro sanciona com vetos lei para proteger indígenas durante pandemia
Lista os 16 dispositivos vetados (água potável, higiene, leitos de UTI, respiradores).
- Brasil de Fato8 de julho de 2020Bolsonaro veta acesso facilitado a auxílio emergencial e água a indígenas na pandemia
Destaca vetos menos citados, como o acesso facilitado ao auxílio emergencial.
- Agência Brasil8 de julho de 2020Barroso determina adoção de medidas para conter covid-19 em indígenas
Detalha a cautelar na ADPF 709: barreiras sanitárias, Sala de Situação e plano em 30 dias.
- Instituto Socioambiental (ISA)28 de julho de 2020Após decisão do STF, governo Bolsonaro segue omisso no combate à pandemia entre indígenas
Mostra o descumprimento dos prazos fixados pelo STF.
- Agência Senado19 de agosto de 2020Congresso derruba vetos de Bolsonaro à lei que protege indígenas na pandemia
Desfecho: o Congresso restabelece a água potável e outros itens vetados.
Fontes 3
- documento oficial7 de julho de 2020Lei nº 14.021, de 7 de julho de 2020 — texto com os dispositivos vetados e as partes depois promulgadas
Presidência da República
- decisão judicial8 de julho de 2020Barroso determina que governo federal adote medidas para conter avanço da covid-19 entre indígenas (ADPF 709)
Supremo Tribunal Federal
- decisão judicial5 de agosto de 2020STF prossegue julgamento de medidas contra a pandemia entre povos indígenas — referendo da cautelar na ADPF 709
Supremo Tribunal Federal

youtube