Por ofício ao Ministério da Saúde, o Instituto Butantan oferece 100 milhões de doses da CoronaVac — 45 milhões até dezembro de 2020, 15 milhões até fevereiro de 2021 e 40 milhões até maio. Duas semanas depois, o presidente desautorizaria em público a compra. O contrato só seria assinado em 7 de janeiro de 2021, e as entregas começariam no dia 15.
A sequência, pelo histórico que o próprio Ministério da Saúde apresentou à CPI:
- 6 de agosto de 2020 — primeira reunião entre o Butantan e o Ministério, informando sobre a parceria com a Sinovac e a capacidade de fornecimento ao SUS.
- 13 e 14 de agosto — visita técnica ao Instituto.
- 18 de agosto — ofício do Butantan informando da parceria e pedindo apoio financeiro.
- 26 de agosto — reunião pedindo apoio para pesquisa, produção e aquisição de doses.
- 11 de setembro — ofício do Ministério respondendo ao pedido de apoio financeiro.
- 7 de outubro — a oferta de 100 milhões de doses, com 45 milhões ainda em 2020.
- 16 de outubro — cronograma detalhado, com 4 milhões de doses já em novembro de 2020.
- 20 e 21 de outubro — o Ministério anuncia a intenção de comprar 46 milhões de doses; o presidente desautoriza publicamente no dia seguinte.
- 7 de janeiro de 2021 — assinatura do contrato. As entregas começam em 15 de janeiro.
Perguntado na CPI sobre a relação entre o ministro e o presidente depois do episódio, um dirigente do Ministério da Saúde respondeu: “um manda e o outro obedece”. O diretor do Butantan, Dimas Covas, informou à comissão que as negociações foram suspensas a partir dali.
Três meses separam a oferta de outubro do contrato de janeiro. Pelo cronograma proposto, esses três meses continham 45 milhões de doses.
Vídeos 3
Os vídeos da pesquisa só carregam quando você clica: até lá, nada é pedido ao YouTube por eles.
CPI da Pandemia ouve o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas - 27/5/2021
Íntegra da oitiva (cerca de 8h54) em que as ofertas de julho, agosto e outubro de 2020 são detalhadas.
Dimas Covas relata dificuldades para negociar CoronaVac com o Ministério da Saúde
Resumo editado pela TV Senado (8 min) com os trechos sobre as negociações.
Butantan ofereceu 100 milhões de doses da vacina contra covid-19 ao governo federal, diz Dimas Covas
Recorte curto (3 min) do momento em que Covas cita a oferta de 100 milhões de doses.
Imagens 3
Matérias 5
- G119 de fevereiro de 2021Ministério da Saúde ignorou três ofícios com ofertas de vacinas enviados pelo Butantan, diz diretor do instituto
Primeira exposição pública, antes da CPI, de que os ofícios de julho, agosto e outubro de 2020 ficaram sem resposta do ministério.
- CNN Brasil22 de maio de 2021Vacina: Butantan entrega à CPI documentos sobre 3 ofertas ignoradas pelo governo
Cita o ofício de 7 de outubro de 2020 com o cronograma 45 + 15 + 40 milhões e a condição de 'manifestação imediata' do ministério.
- BBC News Brasil27 de maio de 2021CPI da Covid: Governo rejeitou três ofertas de vacina do Instituto Butantan em 2020, diz Dimas Covas
Reconstitui a cronologia das três ofertas a partir do depoimento de Dimas Covas à CPI.
- Folha de S.Paulo27 de maio de 2021Diretor do Butantan diz à CPI que Bolsonaro desprezou vacinas; 80 mil mortes poderiam ter sido evitadas
Registra a afirmação de que as 100 milhões de doses poderiam ter sido entregues até maio de 2021 e a estimativa de mortes evitáveis.
- Agência Senado27 de maio de 2021Brasil poderia ter sido primeiro do mundo a vacinar, afirma Dimas Covas à CPI
Relato oficial do Senado sobre a oitiva, com as datas das ofertas e a paralisação após a fala do presidente.
Fontes 2
- CPI da Pandemia26 de outubro de 2021Relatório final da CPI da Pandemia — histórico das tratativas com o Instituto Butantan, reproduzido da Nota Informativa 28/2021-SE/MS
Senado Federal
“07 de outubro de 2020 — Ofício S/N do Butantan ao MS ofertando 100 milhões de doses da vacina, sendo 45 milhões até dezembro de 2020, 15 milhões até fevereiro de 2021, e 40 milhões até maio de 2021.”
- documento oficial1 de janeiro de 2021Nota Informativa 28/2021-SE/MS — histórico das negociações com o Instituto Butantan
Ministério da Saúde
sem link público · arquivado em documento reproduzido no relatório final da CPI; original a localizar no SEI do Ministério da Saúde

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