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omissãodesinformaçãomáscaras e distanciamento

A campanha do presidente contra as medidas sanitárias

Isac Nóbrega/PR (Palácio do Planalto) · CC BY 2.0
mortos até este dia0série das secretarias estaduais (W. Cota, covid19br)

Ao longo de quase um ano, o presidente da República fez uma sequência contínua de declarações públicas minimizando a doença, atacando o distanciamento social e desacreditando o uso de máscaras. A CPI da Pandemia compilou essas falas com data e fonte e concluiu que o chefe do Executivo foi “o maior canal de disseminação de desinformações” sobre as medidas não farmacológicas.

O governo federal não seguiu essa estratégia e teve no Presidente da República o maior canal de disseminação de desinformações e de conflitos a respeito das medidas não farmacológicas.

Relatório final da CPI da Pandemia · capítulo sobre oposição às medidas não farmacológicas

Esta entrada reúne o que a CPI da Pandemia levantou e datou. Cada fala abaixo está no relatório final, com a fonte em nota de rodapé. As duas mais conhecidas — o pronunciamento da “gripezinha” e o “e daí?” — têm entrada própria nesta linha do tempo.

2020

  • 7 de março — convoca a população a participar de manifestações contra o Supremo Tribunal Federal, atos que sabidamente causariam aglomeração.
  • 10 de março — chama a pandemia de “uma pequena crise” e diz que é “muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é tudo isso que a grande mídia propala”.
  • 11 de março — afirma ter ouvido que “outras gripes mataram mais do que essa”.
  • 15 de março — “muitos pegarão isso independente dos cuidados que tomem. Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. […] não podemos entrar numa neurose, como se fosse o fim do mundo”.
  • 17 de março — “depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”.
  • 21 de março — determina a ampliação da produção de cloroquina pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército.
  • 26 de março — “O brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele vai, mergulha e não acontece nada com ele”.
  • 31 de março — distorce fala de diretor da Organização Mundial da Saúde, omitindo o trecho sobre assistência a quem ficou sem renda.
  • 14 de abril — “parece que está começando a ir embora essa questão do vírus, mas está chegando e batendo forte a questão do desemprego”.
  • 9 de maio — em videoconferência com empresários, contra medidas de restrição: “se for isso mesmo, é guerra. Se quiserem, eu vou a São Paulo, vocês têm que lutar contra o Governador”.
  • 19 de maio — “quem é de direita toma cloroquina; quem é de esquerda toma tubaína”.
  • 7 de junho — “esse vírus é quase como uma chuva, vai atingir você”.
  • 19 de agosto — “Tem algum médico aí? A eficácia dessa máscara é quase nula”.
  • 18 de setembro — “Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram na conversinha mole de ‘fica em casa’. Isso é para os fracos”.
  • 31 de dezembro, em transmissão ao vivo — “Falam tanto em máscara. […] Isso é uma ficção. […] A máscara funciona para o médico, que está operando uma máscara específica. A nossa aqui, praticamente zero”.

2021

  • 25 de fevereiro — “começam a aparecer os efeitos colaterais das máscaras. Eu tenho minha opinião sobre as máscaras, cada um tem a sua, mas a gente aguarda um estudo sobre isso feito por pessoas competentes”.
  • 7 de abril — a Advocacia-Geral da União, a mando do chefe do Executivo, defende no STF a liberação de cultos e missas presenciais.
  • 21 de setembro — na Assembleia Geral das Nações Unidas, repete a defesa do tratamento precoce.

A CPI atendeu também a um pedido de documentação: emissoras de televisão — Globo, CNN, Record, Band, SBT, TV Cultura e TV Brasil — entregaram à comissão vídeos de aglomerações com a participação do presidente da República. Esse acervo audiovisual existe, está arquivado no Senado e é o material que falta anexar a esta entrada.

O relatório registra ainda o efeito institucional: para não entrar em conflito com as declarações do presidente, o Ministério da Saúde, “notadamente na gestão Pazuello”, deixou de lançar campanhas educativas de grande alcance. A comunicação diária com a população, que existia na gestão Mandetta, acabou.

Vídeos 5

O Globo, 30/4/2020 — as falas do presidente minimizando a covid, de 9 de março a 28 de abril de 2020 · ver no YouTube
BNews, 12/3/2021 — frases do presidente na pandemia, do “histórico de atleta” ao “chega de frescura e de mimimi” · ver no YouTube

Os vídeos da pesquisa só carregam quando você clica: até lá, nada é pedido ao YouTube por eles.

BBC News Brasil11 de novembro de 2020

'País de maricas' e outras 15 falas controversas de Bolsonaro sobre a pandemia

Compilação datada das falas do presidente ao longo de 2020; dialoga diretamente com a compilação da CPI.

Globoplay / Fantástico15 de março de 2020

Bolsonaro descumpre monitoramento por coronavírus e cumprimenta apoiadores em Brasília ↗

Registro em vídeo do ato de 15/03/2020; está no Globoplay (pode exigir login).

Band Jornalismo7 de julho de 2020

De "gripezinha" a "e daí": relembre frases de Bolsonaro sobre a pandemia

Montagem curta (menos de 1 minuto) das falas mais citadas, boa para abertura de seção.

Imagens 3

Apoiadores aglomerados diante da rampa do Palácio do Planalto para ver o presidente, Brasília, 15/05/2020 (dia da saída do ministro Nelson Teich)Isac Nóbrega/PR (Palácio do Planalto) · Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · fonte
Outdoor de rua com propaganda do chamado tratamento precoce contra a covid-19 (foto de 19/03/2021)Albertoleoncio · Wikimedia Commons · CC BY 4.0 · fonte
Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato em Brasília, contrariando recomendações médicas, 15/03/2020Dida Sampaio/Estadão Conteúdo · G1 (reprodução) · direitos reservados — apenas referência · fonte

Matérias 6

Fontes 2

  1. CPI da Pandemia26 de outubro de 2021
    Relatório final da CPI da Pandemia — capítulo sobre oposição às medidas não farmacológicas, com a compilação datada das declarações

    Senado Federal

  2. imprensa26 de março de 2020
    Frases de Bolsonaro sobre o coronavírus

    G1