Suzanny Victória
publicado por @suzannyvictoria em 8 de outubro de 2026
Suzanny Victória tinha 17 anos quando perdeu a mãe, em 24 de outubro de 2020, e a tia, no dia seguinte — as duas enfermeiras da linha de frente; a mãe era vacinadora. Conta que a mãe foi enterrada num saco preto, sem velório e sem despedida, e que depois teve de se virar para estudar e trabalhar.
transcrição
[Transcrição automática do vídeo, ainda a revisar contra a gravação. O que a máquina não entendeu fica marcado.]
Sabe o que é isso aqui? Isso aqui é um saco de lixo. Sabe o que eu associo toda vez que eu pego a porra de um saco de lixo preto? Eu lembro da minha mãe, que foi exatamente numa porra dessa aqui que ela entrou.
Em 2020, dia 24 de outubro de 2020, ela entrou dentro de uma porra de um saco de lixo, sem velório, sem despedida. Suzanny, eu, com 17 anos. Eu e meu irmão perdemos nossa mãe, e logo em seguida minha tia, dia 25 de outubro — foi uma atrás da outra. Ambas enfermeiras, linha de frente. Minha mãe era vacinadora, porra. Aqui, ó, olha aqui o fim dela.
E sabe onde estava o meu presidente da república? Rindo na minha cara na televisão. Rindo na minha cara na internet. Suzanny, com 17 anos, vendo isso. Tentando lutar com o Enem pra passar, pra estudar.
Eu nunca preciso botar em pauta todas as minhas questões de esquerda pra falar por que eu odeio a família Bolsonaro, não. Só a pandemia já mata. [trecho incerto] Direita é aqui, ó: olha pro seu umbigo. Olha pro seu umbigo. Olha pro seu próprio umbigo. É o que vocês são bons.
E aí eu perdi a minha mãe. Eu tive que me virar. Eu tive que me virar. Eu queria estudar. Eu tive que me virar. O Prouni me salvou pra eu estudar e trabalhar.
Porque eu não esqueço. Eu não esqueci nada. Dia 25 vota 13, gente. [trecho incerto] esquecendo as coisas é muito fácil. Dia 25 é 13, gente.